sábado, 19 de agosto de 2017

O riso da História, ou: das proezas que aguardam os pequenos

Estava aqui matutando com os meus botões (embora estivesse de camiseta) sobre como são curiosos os desígnios da História... Muito curiosos, imperscrutáveis até. Senão, vejamos. Ela não permitiu que um canalha brilhante como Carlos Lacerda se sentasse à cadeira de Presidente da República, que tanto almejou, e pela qual quase tudo fez. Igualmente vetados foram postulantes como Leonel Brizola, Franco Montoro, Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, todos políticos acima da média, ou mesmo bem acima. Por outro lado, quis o destino que o assento máximo da nossa República fosse utilizado, quase em sequência, pelo general Figueiredo, por José Sarney (autor de “Marimbondos de fogo”) e por Itamar Franco, homens em que se sobressaía a medianidade. 

E eis que, nos dias que correm – correm e tropeçam, e sacolejam de modo atordoante -, a Presidência vem sendo ocupada pelo ex-operador do Porto de Santos, ora encrencadíssimo com a Justiça, que a entrega, quando se ausenta do país, às nádegas de Maia Jr., um tipo quase sem qualquer biografia, que se autodefine como integrante do “médio clero” da nossa conhecida Câmara dos Deputados. E que me faz lembrar o Akáki Akakiévitch de Gógol, definido pelo autor mais ou menos assim: “um homem que baixou à sepultura sem jamais haver realizado um só ato excepcional.”

Digo isso e me lembro de que Zico e Sócrates jamais ergueram o caneco de campeões do mundo pela Seleção Brasileira. Mas Ânderson Polga, sim.

A História é de um cinismo admirável.


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